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Segundo a organização não-governamental Conservação Internacional (CI-Brasil) dos 204 milhões de hectares originais de Cerrado, 57% já foram completamente destruídos e a metade das áreas remanescentes estão bastante alteradas, podendo não mais servir à conservação da biodiversidade. A taxa anual de desmatamento no bioma é alarmante, chegando a 1,5%, ou 3 milhões de hectares/ano. As principais pressões sobre o Cerrado são a expansão da fronteira agrícola, as queimadas e o crescimento não planejado das áreas urbanas. A degradação é maior no Estado de Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso, no Triângulo Mineiro e no oeste da Bahia. O estudo, feito a partir de imagens de satélite, é resultado da parceria da CI-Brasil com a ONG Oréades." O Cerrado perde uma área equivalente a 2,6 campos de futebol por minuto."Essa taxa de desmatamento é dez vezes maior que a da Mata Atlântica, que é de um campo a cada 4 minutos," explica Ricardo Machado, diretor da CI-Brasil para o Cerrado e um dos autores do estudo. "Muitos líderes e tomadores de decisão defendem, equivocadamente, o desmatamento do Cerrado só porque não é coberto por densas florestas tropicais, como a Mata Atlântica ou a Amazônia.
Essa posição ignora o fato de o bioma abrigar a mais rica savana do mundo, com grande biodiversidade, e recursos hídricos valiosos para o Brasil. Nas suas chapadas estão as nascentes dos principais rios das bacias Amazônica, do Prata e do São Francisco."Entre os problemas provocados pelo desmatamento no Cerrado estão a degradação de rios importantes como o São Francisco e o Tocantins, e a destruição de habitat que compromete a sobrevivência de milhares de espécies, muitas delas endêmicas, ou seja, que só ocorrem ali e em nenhum outro lugar do planeta, como o papagaio-galego (Amazona xanthops) e a raposa-do-campo (Dusicyon vetulus). Junto com a biodiversidade estão desaparecendo ainda as possibilidades de uso sustentável de muitos recursos, como plantas medicinais e espécies frutíferas que são abundantes no Cerrado. Segundo a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, já foram catalogadas mais de 330 espécies de uso na medicina popular no Cerrado. A importância é reforçada por Waldir Mantovani, do departamento de ecologia de Biociências da Universidade de Sâo Paulo.Segundo Mantovani, " O Cerrado tem uma representatividade apenas na América do Sul, embora seja parte de um conjunto de formações mundiais denominadas de savanas que contém fauna e flora muito particulares. Segundo o ecólogo , se não houver limites no mercado internacional com relação ao preço da soja, as pessoas serão estimuladas a plantar na velocidade que estão plantando agora. E essa produção que está sendo feita, tem uma velocidade muito grande de ocupação. É provável que o Cerrado, dentro de muito breve, não tenha áreas capazes de representar toda a sua riqueza e toda a sua diversidade.
site da ong Conservação Internacional-Brasil
www.conservation.org.br
Autor:
Reportagem e edição: Cláudia Tavares. Pauta: Marici Arruda.
Edição de Imagens: Élio Marques.
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