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Evitar que populações em diferentes locais do planeta sofram com falta d'água. Esse é o principal desafio do Século 21, segundo organizações internacionais. O problema é grave. Atualmente, de acordo com dados da ONU, a escassez atinge 700 milhões de pessoas, em 43 países.
As previsões não são nada animadoras. Segundo a FAO, Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, em 20 anos, pelo menos 60% da população do planeta poderá ter problemas com abastecimento.
Já o IPCC, Painel Intergovernamental para a Mudanças Climáticas, que oferece informações científicas para orientar políticas globais sobre o aquecimento, prevê que até 3 bilhões pessoas tenham dificuldade no acesso à água em razão das alterações climáticas. E até o final desse século, segundo o órgão, a temperatura poderá subir em média de 2 a 4 graus.
A preocupação com a escassez de água potável tende a direcionar as atenções para saídas tecnológicas. Sistemas alternativos que podem ajudar, pelo menos, a diminuir o consumo de água das reservas.É graças à tecnológia que o professor Ivanildo Hespanhol, da USP, molha o jardim sem nenhum sentimento de culpa. A água para as plantas vem da chuva. O sistema faz a captação no telhado. A tubulação leva primeiro a um reservatório de descarte, que elimina a água dos primeiros 6 minutos, considerada suja.
Ivanildo Hespanhol é diretor do CIRRA, Centro Internacional de Referência em Reuso de Água, que trabalha no desenvolvimento de novas tecnologias. Os estudos integram teses de mestrado e doutorado. Um deles prevê a reutilização da água de residências, excluindo a de esgoto e pia da cozinha.
A água de reuso não é potável. Mas, segundo Ivanildo Hespanhol, ela pode ser usada na agricultura, que consome hoje cerca de 70% de toda a água doce disponível. A reutilização pode ser feita também em lavagem de automóveis, limpeza de ruas, condomínios e indústrias. Mas é nos oceanos, segundo o professor, que está a maior fonte. A tecnologia de membranas torna potável a água do mar.
Quanto às previsões das organizações internacionais, o cientista não tem uma visão muito pessimista. Ele diz que os alertas são similares à teoria de Thomas Malthus. O economista e demógrafo inglês dizia que se o crescimento populacional do planeta continuasse num ritmo mais acelerado que o da produção de alimentos, um dia não haveria comida para todos. Segundo Ivanildo Hespanhol, nem Malthus, nem as organizações levaram em conta a tecnologia.
Autor:
Editora-Chefe:Vera Diegoli. Reportagem: Alex Gusmão. Imagens : Alexandre Fortes.Auxiliar de Câmera:Cristiano Cícero.Edição de Imagens: Patrícia Chiconi. Edição de Texto:Camila Doretto.
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