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De olho no chamado combustível verde ou biocombustível, o mundo se vira para o brasil. Até George Bush, presidente do país que produz etanol à partir do milho, deu sinais do interesse no álcool verde e amarelo.Há bons motivos para isso explicam especialistas em energia :
Entrevista com Délcio Rodrigues - pesquisador Instituto Vitae Vivilis:
"Porque os Estados Unidos não são capazes de produzir o etanol que eles precisam, eles vão ter que importar"
Dominar a tecnologia do etanol e ter área para expandir a produção são condições que podem fazer do Brasil a bola da vez.
Essa competitividade também é fruto da experiência histórica.No começo dos anos 70 o chamado choque do petróleo com aumento exorbitante do preço do barril causou uma grave crise mundial. O governo brasileiro decidiu então diminuir a dependência do petróleo externo, incentivando a produção do álcool a partir da cana -de-açucar. nascia aí o pró-álcool.
O físico e ambientalista Délcio Rodrigues avalia que o próálcool teve impactos negativos, mas também tem seu mérito.
Entrevista com Délcio Rodrigues :
"A gente teve uma melhoria de qualidade do ar nas cidades nos anos 80 foi muito significativo. Nós tivemos uma geração de empregos importante em algumas regiões dos principais produtores no interior de São Paulo.Desenvolvemos tecnologia para a produção de cana, principalmente variedades adaptadas, mas também foram impactos negativos, tivemos problemas com os rios. Durante muito tempo lançamos vinhoto nos rios tivemos problemas com a biodiversidade dos rios, desmatamos muito para aumentar a produção, houve um desmatamento importante nos anos 70 e 80 e tivemos problemas sociais gerados com o número de bóias-frias que foi utilizado com o corte manual e com a queima da cana antes do corte"
As políticas adotadas pelo governo para incentivar a produção do álcool ,como a mistura com a gasolina e os carros movidos exclusivamente à álcool. Transformaram a paisagem de vários estados. Na região sudeste ficamos nas mãos da monocultura:
Entrevista com Délcio Rodrigues
"Em Sertãozinho, por exemplo, no interior de São Paulo,setenta e três porcento da área do município hoje é ocupada por cana-de-açúcar,você não tem mais espaço para nenhum tipo de produção, seja de frutos, seja de outros tipos de alimento e mesmo para vegetação nativa"
A nova fase de expansão da produção de álcool é movida pela tecnologia dos motores flex e pelo interesse mundial no combustível mais limpo. O governo federal pediu à um grupo de pesquisadores um estudo para saber quanto a produção pode de fato crescer. a resposta é ambiciosa: 200 bilhões de litros de etanol por safra à partir de 2025. É mais de treze vezes o que é produzido hoje. A meta é substituir dez porcento da gasolina consumida no mundo.
Autor:
Editora-Chefe:Vera Diegoli. Pauta:Maria Zulmira de Souza e Paula Piccin. Reportagem:Márcia Bongiovanni. Imagens: Alexandre Fortes.Auxiliar de Câmera : Silas Vergueiro.Operador de Áudio: Flávio Nascimento. Edição de Imagens:Eduardo Félix.Edição de Texto: Mariene Pádua. Produtor Executivo:Maurício Lima.Supervisor Quadro Biodiversidade: Washington Novaes.
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