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O Breu Branco (protium pallidum) é uma árvore da floresta amazônica, que ao sofrer alguma agressão como uma picada de inseto libera uma seiva branca e brilhante como forma de defesa que também é chamada de breu-branco. Com o tempo ela escurece, fica dura e se asemelha a uma pedra que quebra e pega fogo facilmente, liberando um um cheiro agradável. O cheiro do breu-branco chamou a atenção da indústria de cosméticos Natura que buscava uma essência da biodiversidade brasileira para um novo perfume destinado ao mercado nacional e internacional.
Entrevista com Mônica Pinotti especialista em perfume "Natura"
P:" Como vocês chegaram ao breu-branco?
R: Chegamos através de pesquisas bibliográficas,isso começou aqui na Natura há mais ou menos 3 anos, antes do desenvolvimento do produto completo. Isso aconteceu junto a universidades também em São Paulo. E depois nos fomos conhecer os lugares ,onde havia incidência de breu-branco."
Entre as comunidades que tradicionalmente conhecem o uso do breu-branco, a empresa escolheu trabalhar com a da Reserva de Desenvolvimento Sustentável São Francisco do Iratapuru, no Sul do Amapá, divisa com o Pará, onde o breu é coletado sem causar danos à árvore.
Para usar o breu-branco em um novo produto, a empresa Natura necessitava da autorização do CGEN - Conselho de Gestão do Patrimônio Genético,do Ministério do Meio Ambiente. É o que determina a legislação brasileira que regula o acesso aos recursos da biodiversidade, ainda regida por medida provisória.
Entrevista com Eduardo Vélez Coordenador do CGEN
"A legislação estabelece que as atividades no pais devem ser regulada pelo governo federal portanto todas as iniciativas devem ter autorização do CGEN. "
O governo do Amapá, que também possui uma legislação própria de acesso à biodiversidade , participou do processo através da Secretaria de Meio Ambiente.
Entrevista com o Eduardo Vélez -coordenador do CGEN - "O uso do breu branco ele envolve dois componentes. De um lado é um uso do patrimônio genético, é um conjunto de uma substância presente nessa planta que é a base para o desenvlvimento do produto e por outro lado, é o uso do conhecimento tradicional associado. Só que o conhecimento tradicional associado é um conhecimento tradicional difuso, ele está disperso em várias comunidades. Inclusive, o conhecimento dessa propriedade não foi obtido direto naquela comunidade, mas de outra maneira. O fato é que o conselho náo disciplinou ainda como que as empresas tem que fazer para negociar com conhecimentos tradicionais que são difusos ."
Como a legislação ainda não definiu como as comunidades locais e os povos indígenas podem receber pelo conhecimento tradicional, a população de Iratapuru será remunerada apenas, pela coleta do breu-branco e pelo auxílio dado no desenvolvimento do perfume.
Autor:
Reportagem e Pauta: Maria Zulmira de Souza.
Imagens: Leonardo Siqueira . Operador de áudio :Fernando Emanuel .Edição de Texto:Valesca Vanabarro . Edição de Imagens : Marcos Cabral.Pesquisa : Eliane Moraes. Coordenadora de Produção :Moniza Kezan. Editora- Chefe:
Vera Diegoli.
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