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As imagens do Povo Yanomami são resultado de trinta anos de dedicação integral à preservação da cultura indígena. A fotógrafa suiça naturalizada brasileira, que já se dedicou à pintura abstrata quando vivia em Nova York, porque ficou encantada por esses habitantes da fronteira do Brasil com a Venezuela.
Cláudia Andujar/fotógrafa:
" Eu acho que foi a espontaneidade deles, que é muito ligado à curiosidade, que eu acho que é muito ligado à inteligência. E também tem o fato deles serem completamente integrados ao seu meio ambiente. Você não pode separar os Yanomami do seu ambiente, da floresta, dos animais ao redor de tudo isso. É a mesma coisa".
Cláudia organiza agora o acervo que registra toda a memória recente do povo Yanomami. Nos arquivos antigos ela encontrou retratos, que já foram expostos no Masp e na Bienal. Eles compõem a mostra "Marcados para", na Galeria Vermelho, na capital paulista. Lançado simultaneamente, o livro de mesmo nome.
Década de 70, Amazônia. O governo brasileiro decide abrir mais uma estrada para promover a integração nacional e atravessa o território do Povo Yanomami. Pouco mais de dez anos depois, Cláudia Andujar, na companhia de dois estudantes de Medicina, promove um programa de saúde para tentar salvar os índios das doenças levadas pelos brancos.
Os retratos foram feitos para as fichas de saúde dos índios. Os números servem para identificá-los. Eles não tinham nomes, eram chamados de tios, pais, avós, de acordo com a relação de parentesco. Cada número indica uma marca pela vida porque os indíos que aparecem aqui foram vacinados. Há uma ligação direta com a história da fotógrafa.
Cláudia Andujar- fotógrafa:
" Eu, como criança, vivi na segunda Guerra Mundial, num lugar onde havia vários conflitos. Meu pai era judeu, eu vivi todos aqueles momentos de eles serem colocados em campos de concentração, deportados, a grande maioria morreu lá. Isso foi um trauma enorme na minha vida. Eu sei que isso me levou a querer trabalhar com populações em perigo, discriminadas, minoritárias. Através dos anos eu considero eles meus parentes, a minha família. Quando eu perdi a minha, eu perdi, e durante muitos anos eu estava à procura, mas não tinha muito claro de quê. Hoje eu sei: tava à procura de uma família, que eu encontrei".
Cláudia Andujar quase largou a fotografia para se dedicar exclusivamente à luta pela preservação deles. Foi uma das criadoras da Comissão Pró Yanomami, que previa a criação de um Parque aos moldes do Xingu. Homologada em 92, a Terra Indígena Yanomami tem quase 100 mil km². Mas a população de cerca de 12.500 pessoas permanece ameaçada pela invasão de garimpeiros e por problemas de saúde.
Exposição "Marcados para "
Galeria Vermelho- São Paulo
Até 4 de outubro de 2009
Rua Minas Gerais, 350 - Higienópolis/SP
Tel. (011) 3138. 1520/ 3138 1527 -
Autor:
Editora-Chefe:Vera Diegoli. Reportagem:Cláudia Tavares.
Pauta:Marici Arruda. Edição de Texto:Mariene Pádua.
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