
Washington Novaes, jornalista, é supervisor geral do Repórter
Eco.
É preciso chegar a um acordo até o fim deste ano, para não ficar sem nenhuma regra. E é praticamente consenso que é fundamental conseguir uma redução de emissões entre 25 e 40 por cento até 2020, para atingir 80 por cento até 2050. Mas a Europa só se dispõe a baixá-las em 20 por cento até 2020; o Japão, 15 por cento sobre as emissões atuais; e os Estados Unidos falam em voltar aos níveis de 1990, apenas.
Já 37 países em desenvolvimento, inclusive o Brasil, propuseram que os países mais ricos baixem suas emissões em 40% até 2020. Mas eles mesmos não aceitam compromissos de reduzir as suas emissões, segundo dizem para não prejudicarem o crescimento econômico.
Com essas posições, não se avançou nada na Alemanha, embora o Fórum Humanitário Global diga que os desastres climáticos mataram 300 mil pessoas no ano passado, atingiram mais de 300 milhões de pessoas, produziram prejuízos de 125 bilhões de dólares e poderão agravar muito todo esse quadro nos próximos 20 anos. Segundo a ONU, já no ano que vem 25 milhões de pessoas poderão ser deslocadas. E o degelo nos pólos ameaça dobrar o nível de elevação dos oceanos.
Nesse cenário tão preocupante, é animador que o município de São Paulo tenha aprovado um projeto de lei sobre mudanças climáticas, com vários princípios elogiáveis. Precisa agora partir para a prática sem perder tempo.
Washington Novaes, jornalista, é supervisor geral do Repórter Eco. Foi consultor do primeiro relatório nacional sobre biodiversidade. Participou das discussões para a Agenda 21 brasileira. Dirigiu vários documentários, entre eles a série famosa "Xingu" e, mais recentemente, "Primeiro Mundo é Aqui", que destaca a importância dos corredores ecológicos no Brasil.
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