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No ano de 2009 A Radio Cultura FM celebra a passagem de Heitor Villa-Lobos, o compositor "telúrico", como disse Carlos Drummond de Andrade. Villa morreu em 17 de novembro de 1959 e nessa ocasião, mais uma vez, a alma de poeta despertou no poeta: "Era um espetáculo. Tinha algo de vento forte na mata, arrancando e fazendo redemoinhar ramos e folhas; caía depois sobre a cidade para bater sobre as vidraças, abri-las ou despedaçá-las, espalhando-se pelas casas, derrubando tudo; quando parecia chegando ao fim do mundo, ia abrandando, convertia-se em brisa vesperal, cheia de doçura. Só então se percebia que era música, sempre fora música". Villa-Lobos era isso, sempre foi isso. Controvertido, aventureiro, freqüentador assíduo das gafieiras do Rio de Janeiro e explorador das musicalidades do Brasil, Villa-Lobos se tornou uma referencia das raízes e das práticas de nossa cultura, sempre, como disse Carlos Drummond, como música, sempre música. Luiz Heitor Correa de Azevedo diz que Villa-Lobos não descobriu o Brasil, mas tomou posse dele: embrenhou pelo Amazonas, vagou por Minas, viveu no Rio, sucumbiu-se a São Paulo, conheceu o Ceará, voou para o Sul e a portou no Recife. Não foi nada fácil viver no Brasil dos inícios do século XX, onde as influências européias digladiavam com as buscas incessantes, por vezes, puramente teóricas, de uma identidade. Para Mário de Andrade, mentor do folclorismo musical encontrado em Villa-Lobos, a cultura no país, "andava réptil, viscosa, preguicenta, envenenando tudo...", aqui, não se ensinava música, vendia-se virtuosidade! E essa foi a primeira batalha de Villa-Lobos, derrotar o eurocentrismo e promover a descolonização. Desde os fins do século XIX pode-se assinalar uma tentativa romântica de buscar os elementos necessários para o rompimento desse vinculo com a Europa. Com Alberto Nepomuceno aconteceram as primeiras tentativas de se criar uma linguagem nacional, através do romantismo brasileiro, do caráter modinheiro e do uso das temáticas nacionais. Mas era preciso mais que isso: era necessário ampliar os debates em torno dessa idéia de nacionalidade e buscar, necessariamente, subsídios histórico-musicais para a compreensão da possível brasilidade. Num desses debates, é preciso remontar à Semana de Arte Moderna, ao caráter antropofágico e a Mário de Andrade. O nacionalismo crítico de Heitor Villa-Lobos era diferenciado do nacionalismo acrítico de Alberto Nepomuceno, foi algo como opor a tradição e a ruptura. Camargo Guarnieri e Heitor Villa-Lobos se tornaram dois dos principais seguidores das diretrizes de Mário de Andrade. De um lado, Guarnieri em seu manifesto "Carta Aberta aos Músicos do Brasil", criticava sem restrições a música serial trazida por Hans Joachin Koellreuter; do outro, Heitor Villa-Lobos, com suas influências estéticas neo-românticas, superou o folclorismo, devido ao alto teor artístico de suas peças. Tudo isso você poderá ouvir na edição especial que a Radio Cultura FM preparou para seus ouvintes sempre aos domingos, às 11 horas da manhã. A partir de julho e se estendendo até dezembro, "O Brasil de Villa-Lobos", apresentado por Turíbio Santos, vai mostrar porque um índio de casaca foi a Paris não para aprender, mas para ensinar. Por Maurício Monteiro |
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A Celebração do Dia na Cultura FM é um espaço onde Cyro Del Nero narra um fato que puxa outro, terminando por celebrar um dia que vale a pena ser lembrado. Fatos históricos, lembranças e palavras que marcaram profundamente uma data. Os ouvintes interagem pedindo cópias e sugerem temas ou buscam detalhes destes comentários diários. Cyro Del
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FM apresenta o quadro Pergunte ao Maestro. Em linguagem simples e direta
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Maurício Galindo Na Cultura FM, dedica-se à formação de público para a música clássica apresentando o módulo diário Pergunte ao Maestro e Encontro com o Maestro, transmitido aos domingos, às 10h00. |