Sobre o evento
A Fundação Padre Anchieta (FPA), mantenedora da Rádio e TV Cultura, realiza para a Secretaria Municipal de Educação da Cidade de São Paulo o Seminário Olhares à Educação: fazer e aprender na cidade de São Paulo, que acontecerá no Palácio das Convenções do Anhembi entre os dias 24 e 25 de novembro, das 8h às 17h30, ocasião em que serão debatidos diversos temas relevantes para a educação pública em meio à quarta maior cidade do mundo, com seus contrastes e diversidades.
O evento, que receberá como convidados 1.200 professores de escolas públicas, é mais uma iniciativa da Secretaria Municipal de Educação cujo objetivo é de dar continuidade ao projeto de reorientação curricular, iniciado pela Prefeitura em 2006 e que a partir de 2008 contou com a colaboração da FPA, que além do Seminário produziu 31 vídeos e um livro como materiais de apoio para a capacitação dos professores da rede pública.
O seminário contará com atividades culturais, comandadas pelo rapper e apresentador do programa Manos e Minas, Rappin Hood e com 3 conferências sobre (1) Avaliação, (2) Diversidade e (3) Novo Contrato Social para a Escola, com a participação de Flávio Gikovate, Fernando José de Almeida, Danilo Miranda, Márcia Tiburi, Alípio Casali e Tião Rocha, mediadas pelo jornalista Heródoto Barbeiro. O evento também contará com mais 14 palestras e 14 Oficinas e resultará um programa que será veiculado pela TV Cultura, no dia 17 de dezembro, às 19h30.
As principais conferências
Avaliação
Dia 24/11/2008 – Auditório – 10h10
Participantes: Flávio Gikovate, Márcia Tiburi e Fernando Almeida
Mediador: Heródoto Barbeiro
A avaliação é um desafio e uma dificuldade permanente da educação escolar. Avaliação de alunos, de professores, de sistemas educacionais. Avaliação de conhecimentos, habilidades e competências, avaliação de aprendizagem em processo, avaliação, avaliação, avaliação. Neste processo há um sem fim de questões implicadas, muitas das quais amplamente esquadrinhadas pelos especialistas em avaliação. Esta conferência colocará frente a frente duas perspectivas mutuamente implicadas para quem avalia e para quem é avaliado: a ética e a psicanalítica. De um lado o indivíduo em seu mundo psíquico percebe a avaliação, seja como objeto quanto como sujeito, de modo imbricado com sua característica emocional, cognitiva, de personalidade, suas vivências ao longo de toda a vida. De outro, o indivíduo que avalia ou é avaliado está vinculado necessariamente em uma relação social em que circulam padrões, expectativas, ideologias, intencionalidades e julgamentos. Não por outra razão a questão da Avaliação vai muito além dos aspectos estritamente operacionais e ferramentais implicados em tais processos. Qual o compromisso do avaliador consigo e com o avaliado? Que implicações padrões de comparação têm para o máximo desenvolvimento das potencialidades dos alunos? Avaliar para conformar ou para libertar? Quando ocorre um e outro?
Diversidade
25/11/2008 – Auditório – 13h25
Participantes: Danilo Miranda e Alfredo Bosi
Mediador: Heródoto Barbeiro
O aumento da complexidade do trabalho educacional que resultou da diversidade gerada pela universalização da educação escolar tem sido um argumento recorrente para explicar muitas das dificuldades de professores, escolas e sistemas educativos. É verdade que a escola, antes elitizada e por isso muito mais homogênea, agora precisa dialogar com realidades por vezes radicalmente diferentes do ponto de vista cultural, social, econômico e político. Ao mesmo tempo, vivemos no pós-guerra um processo acelerado de globalização econômica e de mundialização das culturas, impactando profundamente os corações e as mentes dos alunos, professores e da sociedade em geral, criando inúmeras novas possibilidades identitárias e de processos de socialização. Que contornos podemos criar para esse fenômeno? Quais são as conseqüências da aceitação da diversidade, da convivência com ela? O que se perde e o que se ganha?
Um novo contrato social para a Escola
25/11/2008 – Auditório – 15h30
Participantes: Tião Rocha e Alípio Casali
Mediador: Heródoto Barbeiro
No século passado protagonizamos um sem número de transformações na cultura e nos arranjos sociais em todo o mundo. O conhecimento e as tecnologias mudaram, a organização econômica e política mudou, família mudou, a mulher mudou, todos mudaram. A criança, o jovem e conseqüentemente o aluno, também mudaram. No chão concreto da sala de aula e dos espaços escolares e não escolares de aprendizagem, uma nova criança e um novo jovem se apresenta de modo um tanto difuso para a maioria dos professores e gestores da educação. Aquela criança e jovem disciplinado, obediente, concentrado, ingênuo cedeu espaço para uma criança e jovem multi-focado, que vive com a incerteza, erotizado, consumista. Acima de tudo, circulam entre essas crianças e jovens muitas novas linguagens, novas tecnologias e novas práticas sociais, que em seu conjunto altera substancialmente o modo como convivem, como compartilham, como se vinculam a redes, como acessam informação e como desenvolvem seus saberes. A escola é uma instituição criada na idade média e desde então vem passando por inúmeras reformas consoante sua função é ajustada à evolução da sociedade e aos avanços das ciências em geral. No entanto, as transformações ocorridas no século XX na sociedade em geral parecem ainda não totalmente metabolizadas pela escola. Coube a ela, por exemplo, cumprir novos papéis, antes de responsabilidade de outras instituições (como a família, por exemplo) e em certo sentido, hoje, esse espaço social é multifacetado, polifônico, em muitos momentos caótico. Absorveu novas funções, mas não sem se distorcer e reconfigurar. Afinal como pensa o sujeito central da escola: a criança e o jovem de nosso tempo? Que medos e aspirações têm? Que conhecimentos, habilidades e competências estão sendo promovidos? Como a escola deve se configurar para que possa desempenhar seu papel com mais eficiência? Afinal, se essa instituição fosse criada agora, quais seriam suas características essenciais? Que especificidade tem a escola na sociedade contemporânea?