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A arte emociona.
Ricardo Aleixo faz poesia
e declama algumas de suas criações.

Vazio até
o fundo,
crispado na treva
mais um dia desliza
para dentro de um dos três caminhos
sem volta
Dispersão,
nenhum cheio de corpo humano,
ninguém subindo o último lance da escada
nem planta alguma, monstro, amor ou estrela
nascendo...
Um peixe
completa seu giro cego
rente ao pôr do sol na água
a noite toda e parte da manhã
um búzio resiste aos golpes do mar
sem paz
Tudo branco
ao redor,
estático teatro de sombras,
matéria de que é feita a insônia
quem me dera o ouro de uma noite sem memória
Era o meu
aquele corpo transido pela espera.
Vinte e nove noites já
e apenas o rumor de uma, para mim,
incompreensível, mas esplêndida língua
se formando ainda, pode ser que se decompondo.
Talvez,
se alguém deste ponto da praia
recuasse a contra fogo
até romper a fina membrana que o separa
da água viscosa da origem,
o ouro do sol imóvel raiasse.
Sob o silêncio
pesado demais para a ventania
sob a pequena noite vista da primeira janela à esquerda
sob a trilha de estrelas novas
sob um nome nunca pronunciado
sob um grilo terrível
sob um monstro e, pior,
um mundo
animado
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