
Eles eram os primitivos habitantes da terra.
Sempre viveram na s proximidades dos rios Kurisevo e Kuluene, no Alto
Xingu.

Na língua Mehinaku, o cacique Yumuin conta que pouco se
deslocaram dentro do território, que os Karaíbas conhecem
como Parque Nacional do Xingu, na região Amazönica do Brasil.
Quando mudaram foi por motivo de guerra ou sobrevivência.
Takulalo, a mulher
do cacique, fala que no tempo de seu avô, eles eram milhares.
Hoje, podemos contar. Não passam de cento e cinqüenta.
Yumuin
explica sobre a origem dos Mehinaku e dos brancos:
"Nós somos do tronco dos Aruak, mas nós não
escolhemos o nome Mehinaku, esse nome vem de muito tempo. O Deus
que fez a gente.
Os
dois gêmeos: o Sol e a Lua. Primeiro fez a flecha e daí
transformou em gente. Atirou vários tipos de flecha: negro, loiro,
branco, amarelo. Aí ele escolheu cada nome de tribo e colocou
uma língua. Vocês são aquele pauzinho bem branquinho.
O índio é flecha emplumada. Aí o Deus colocou língua,
comida e ofereceu água quente, que o branco bebeu, mas o índio,
nosso avô, não aceitou. Como o seu avó branco aceitou
tomar água quente, ele ganhou espingarda. O índio aceitou
outras coisas: cinto, colar, o arco, a flecha. Todas essas coisas que
nós temos hoje."

Na Aldeia Mehinaku o dia começa cedo. Antes do sol iluminar a
praça, as mulheres vão tomar o primeiro banho na
lagoa.
Depois
terão um longo período de trabalho.
Kaiti
explica sobre o trabalho da mulher:
"Água e beiju são trabalhos
da casa. De cada casa, cada família. Na minha casa somos muitas
irmãs, cada uma faz uma parte, uma faz comida, outra pega água.
Dividimos
o trabalho.
No
mês de Abril começa a colheita da mandioca para ter polvilho.
Isso vai até o final de agosto.
Quando começa a chover, a gente só trabalha dentro de
casa, então aproveita para fazer esteira, rede, os cestinhos
para pegar peixe.
Como nós passamos 4 meses colhendo mandioca, estocamos
o polvilho dentro de casa e fazemos o beiju, durante o período
da chuva."

Todo o espaço da Aldeia é considerado casa para os Mehinaku.
As trilhas, que para nós parecem labirintos, são
perfeitamente conhecidas por eles. Cada uma nos leva a um lugar específico:
ao pesqueiro, à floresta, onde é possível caçar
macacos, ao banho.
Existem trilhas,
às quais os Mehinaku atribuem uma referência mitológica
- a trilha que chega ao rio,
onde existe o espírito monstro da formiga saúva, Jalapakuma,
que devora crianças. Os adultos, conhecendo a lenda previnem
os pequenos do perigo do banho nesse rio.
Os caminhos, que
partem da praça, levam às roças e portos,
onde os Mehinaku se abastecem de praticamente tudo o que é necessário
à sua sobrevivência.

"A furação de orelha é importante porque além
de manter a nossa cultura, o homem fica enfeitado, usando brinco.
Nas danças e nas reuniões o homem deve estar de brinco."
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