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O torneio
do rato não trouxe o efeito desejado no poder público. E os ratos
continuaram a ocupar seu espaço na cidade. Jocemar continuou na sua luta
e junto com a ong Rede Mulher de Educação e a Fundação
Santo André conseguiram que a EMAE - Empresa Metropolitana de Águas
e Energia cedesse o terreno para instalação do segundo barracão
do Pedra sobre Pedra. A madeira para construir o barracão foi cedida
por uma empresa que foi paga com garrafas pet.
Mas,
e o caminhão? Você viu esse caminhão em algum lugar e pediu?
Como é que foi?
"Esse caminhão, há 2 anos atrás, tava encostado
em uma outra empresa. A empresa tinha mais de vinte e eu disse a ele: você
não quer fazer uma parceria com a gente?" - Jocemar
O motor do caminhão não estava bom. E assim teve inicio outra
negociação. Desta vez com o comprador de papelão. A empresa
comprou o motor. E o projeto Pedra sobre Pedra pagou a dívida, não
com reais, mas com papelão.
"O objetivo é que a gente elimine a linguagem fútil, mercantil,
aonde hoje a visão é eu compro, eu te pago, tu me entrega, eu
recebo, tu vai embora e não temos vínculo nenhum. Queremos através
desse trabalho que fazemos mudar esse sistema através de uma visão
mais ampla, uma visão de parceria." - Jocemar
Domingão
na Pedra sobre Pedra. Sonzão no bar do Nezão. Da frente do bar
do Zezé vai sair a equipe do Asa Negra. Vão jogar em campo adversário.
Lá vai o Asa jogar por nós. Que traga orgulho pra o nome da nossa
vila.
"Asa...Asa...Asa..." - Turma do Asa
"Sobre essa questão da organização aqui dentro, alguém
quer se manifestar a respeito, falar alguma coisa? Você ia perguntar o
quê?" - Jocemar para companheiros da cooperativa
"Eu
acho que você não comanda aqui sozinho, tem mais uns dois ou três
para comandar, se é cooperativa, né? E cadê os outros, se
você está aí falando sozinho?" Participante
da cooperativa
"Não se trabalha simplesmente pondo a mão no pesado. Essa
questão de trabalhar na caneta, fazendo a mente raciocinar, é
fundamental. Feliz de quem estudou bem para estar atrás de uma mesa mandando
por escrito, solicitando o que tem de ser solicitado." - Jocemar
"Quando
eu conheci o Jocemar, ele já era uma liderança forte. Eu acho
que continua forte. Eu falo pra ele que o problema dele é que, às
vezes, ele descola e caminha muito na frente e aí eu puxo pra trás,
porque a base tem de ser o coletivo. E daí, se o coletivo distancia,
ele fica muito isolado na frente. Então, eu acho que o trabalho hoje
é de puxar o Jocemar para por para o chão, para dar voz aos outros."
- Ruth Takahashi - educadora Rede Mulher de Educação
"Ele
falou que era uma...como se diz mesmo?...Esqueci, foge da memória...
"
Como é o nome?
"Uma cooperativa."
E como é que funciona uma cooperativa?
"Uma cooperativa tudo nós trabalha junto, né?"
- Cláudia Ferreira - participante da cooperativa
O Jocemar chamou a senhora pra trabalhar aqui? O que ele falou?
"Foi. Ele falou que era pra gente trabalhar aqui, que isso aqui era
de nós tudo, que era dos trabalhador."
E a senhora sente que é de todo mundo aqui?
"Bom, eu não sei, a gente tem que ir na conversa dele, né?"
- Maria Francisca de Jesus - participante da cooperativa
"O maior salário tá saindo agora, que é cem reais
e uma cesta básica." - Cláudia
"Dizer
que coleta seletiva é uma coisa que só grandes empresas fazem
eu acho que é um equívoco. Quando você organiza grupo, você
constrói uma outra teia social. Esse trabalho aqui é muito além
do que coletar material reciclável, é construir outra cidadania,
é assumir uma responsabilidade territorial. É trabalhar outras
relações humanas.
Quando você conseguir
olhar o ganho ambiental, a construção de um novo tecido social
que se coloca, a responsabilidade coletiva que cada núcleo desse assume
no seu território é de uma cidadania que não dá
pra gente medir. Quanto custa isso numericamente? E é nesta utopia que
nós estamos acreditando."
- Ruth Takahashi
"Eu
disse pra mim mesmo: eu não quero mais trabalhar em lixão, dessa
forma excludente, conseguindo aqui simplesmente insalubridade. Eu quero ter
o material reciclável, eu quero melhor limpar o meio ambiente, o bairro
que eu moro, o meu entorno.
O que é que há,
meu país, o que é que há? Sabe o que está acontecendo?
Tem alguém levando lucros, tem alguém colhendo frutos, sem saber
o que é plantar. Está faltando consciência. Está
sobrando paciência. Está faltando alguém gritar."
- Jocemar
"Feito mal que não
tem cura,
tão levando à loucura
o país que a gente ama." - Zezé Di Camargo, trecho
de "Meu País"

Veja
a segunda parte do programa Hora de Tecer
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