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Voltar dois anos depois. Encontrar outra vez aquele menino moreno. O mesmo
caminho, o mesmo chão de terra, a mesma casa, a mesma cisterna.

Rogério já caminha entre as palmas. Corre no terreiro. E
está sempre sorrindo. Engordou 5 quilos nesses últimos dois
anos, mas ainda é um menino desnutrido. Precisaria incluir proteína
na sua alimentação. Rogério é um menino pequeno
e magro pra sua idade. Aos 4 anos ainda não fala, mas sabe dar
e receber afeto.
"Não
basta só salvar vida. Mas, além de salvar vidas, tem que
essa vida seja vida em abundância." - Elísio
Gomes assessor técnico Visão
Mundial Alagoas
A Visão
Mundial desenvolve agora nesta região de São
José da Tapera um projeto para durar, no mínimo 10 anos.
"Pelo
fato da própria região, das práticas políticas,
dos programas políticos existentes aqui na região, as pessoas
sentem-se como se fossem mendigas. Sentem- se muito deprimidas, como se
fossem os últimos dos últimos. Nós esperamos que
essas pessoas possam ser realmente, sintam-se realmente brasileiras, que
possam ter sonhos e que possam ir atrás desses sonhos."
- Elísio Gomes

A escola é uma casa maior na estrada do caminho. Ali onde se ensina
a dizer palavras para entender este sertão.
É pra lá
que vão os irmãos mais velhos de Rogério: Adeílson
e Betânia.
O
que o professor escreve na lousa é mais ou menos o que se desenha
no caderno. Os meninos estão na escola, mas isso não significa
que eles conheçam o mundo das letras.
O professor escreve
no quadro negro: atividades. Adeílson copia um incompreensível
desenho.

Me criei naquela terra de pouco valor, perto da casa de barro onde
eu nasci e morava tudo nóis, meus 8 irmãos mais eu.
Tive brinquedo feito de lata e de sandália de borracha, como
todo menino do sertão. Me criei fraco na leitura. Me criei
calado, por jeito de ser. |
Rogério
está salvo para a vida. Agora precisa estar salvo, para viver neste
mundo.
Apesar de tudo, na casa de Rogério, a vida parece melhor. Ele ganhou,
através do programa de apadrinhamento da Visão
Mundial, uma cabra e tres cabritos. É a cabra que garante o
leite para os nove filhos de Cida. Eram oito. Nesse tempo nasceu mais
um menino: Claudevan, agora com 4 meses de idade.
"A
gente percebe o volume da cabeça muito acentuado em relação
ao corpo. É uma criança com risco. De alimentar, de ter
uma doença e, já está desnutrido, e vir a falecer.
É risco de vida iminente. Aqui
é o seguinte: é uma questão de trabalhar a mãe,
melhorar a condição da mãe, dela se alimentar, porque
ela tendo condições de se alimentar, ela estando em melhor
condição, ela vai ter condição de sustentar
a criança. Aqui a alimentação dela é peito."
- Geraldo Pinto médico

E talvez porque nunca lhe disseram, ou porque nunca pensaram pra ela tantos
cuidados, essa mulher de 33 anos, analfabeta, mãe de 9 filhos chorou.
Alcançada pelo olhar de um médico que olha pra ela.
"Então,
se conseguir pra ela a multimistura, pra ela fazer uso normalmente de
duas colheres de sopa por dia, misturado na alimentação
dela, e realmente ter a feira básica...Se ela só come uma
vez ao dia, mesmo com a multimistura, não vai suprir."
E alguma vitamina pra ela adianta?
"Não adianta vitamina se não tem alimentos."
- Geraldo Pinto médico
No
retrato da família, o eterno retorno.
A história de Rogério parece se repetir em Claudevan.
A história de Adeilson pode se repetir em Rogério.
Que a vida não seja tão seca para os meninos sertanejos.
Que a beleza do sertão não viva apenas neste céu.

Ficha Técnica e Discografia

Primeira parte do programa Quase o Peso de
um Passarinho - Dois Anos Depois
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