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Rio de Janeiro (RJ) - primeira parte
Ricardo Soares
 



O Caminhos e Parcerias de hoje vai tentar contar a história da comunidade Pereira da Silva que tem 1.900 habitantes distribuídos em 400 habitações, fica aqui em Laranjeiras, zona sul do Rio de Janeiro, e é um exemplo de como a comunidade de morro do Rio de Janeiro foge ao clichê de que é residência apenas de traficantes e de bandidos. O Caminhos e Parcerias esteve aqui em três ocasiões diferentes e é o resumo de toda esta história que vocês vão ver hoje.


Rio de Janeiro, verão 2000

Chegar no Rio em qualquer estação é dar de cara desde sempre com aquelas imagens cartões postais que não são ofuscadas por colírios ou óculos escuros. Retrato visto de longe o Rio continua sendo muito mais que uma linda paisagem na parede. Mas basta aproximar a lente para se ver que uma é a cidade vista de baixo, outra a realidade vista de cima. Da perspectiva de centenas de morros que cercam a cidade.


Foi o som dos tiros que acordou a gente que mora aqui. Não foi só aquele acordar assustado no meio da noite ou no sobressalto do dia claro. A gente daqui acordou para um problema. Era preciso transformar a vida das pessoas que moram na Comunidade Pereira da Silva, o Pereirão, em Laranjeiras em vida sem susto, em vida sem bala perdida no confronto entre traficantes e policia até os últimos dias de 1998. O entulho acumulado aqui no verão de 2000 tinha um caráter simbólico. Aqui, no passado, era um concorrido ponto de venda de droga.



Inverno de 2001


Essa aqui é a praça 8 da comunidade Pereira da Silva, uma praça de triste memória como vocês viram no verão de 2000. Agora, inverno de 2001 ala está assim, mas pode ficar muito melhor, esse é o desejo da associação dos moradores.

 

 



Nos primeiros dias do atual governo do Rio de Janeiro os traficantes ainda impunham sua lei do silêncio ao Pereirão e a boa parte dos moradores de Laranjeiras. Estavam enlutados pela morte no final de 98, em confronto com a polícia, do temido Cláudio Passos da Rocha, o Portuguesinho. O caminho a seguir então foi uma parceria entre toda a Comunidade do Pereirão mais o novo governo carioca, a prefeitura , o movimento Viva Rio e vários outros agentes que foram se agregando à boa nova que todos chamavam e chamam de Mutirão pela Paz.

O Pereirão foi aos poucos se transformando em exemplo, no cartão de visita de uma nova política de segurança imaginada pelo ex-coordenador de segurança, justiça e cidadania Luiz Eduardo Soares. Apesar dos encontros e desencontros que geraram as boas intenções de Luiz Eduardo por sorte as idéias que ele levou para o Pereirão não ruíram com a sua saída do governo Garotinho após denunciar a banda podre da polícia carioca.

Alto do Pereirão - verão de 2000

"O mutirão pela paz, a presença da polícia oferecendo segurança comrespeito à cidadania, a lei e aos direitos humanos. A Vila Pereira da Silva pra nós é um exemplo, um modelo, um paradigma de uma outra forma de abordagem da questão da violência nas comunidades." - Luiz Eduardo Soares - ex-coordenador de segurança, justiça e cidadania


Pereirão, verão de 2000

"Eu acho que o momento mais feliz é o que a gente tá vivendo agora. Nós vivemos momentos infelizes também na comunidade , mas graças a Deus esse é o momento mais feliz que a gente está vivendo. Foi aí que a gente começou a trabalhar duro pra mudar a realidade da comunidade" - Paulo Corrêa da Silva - presidente da associação de moradores

A mudança da realidade no Pereirão se refletiu não só na auto-estima dos moradores com os programas que vem sendo desenvolvidos . O próprio bairro de Laranjeiras vem dando mostras de que pretende continuar a ter como vizinho uma comunidade segura. Tanto que a tradicional escola de samba Canários de Laranjeiras reunida com a Associação dos Moradores do Pereirão acertou que é ali , ao pé do morro, que serão realizados os ensaios da escola. Agora todos se sentem seguros.

Embora a segurança pública no Rio ainda esteja muito distante da situação ideal o Mutirão pela Paz que funciona no Pereirão é membro de um corpo grande do que pretende em tese a política de segurança do governo carioca. Nela se enquadra por exemplo o projeto das Delegacias Legais. Do layout ao tratamento do público nada aqui lembra uma tradicional delegacia. Entre as novidades, elas são interligadas por uma rede virtual, uma intranet onde as delegacias legais trocam informações entre si. Não possuem carceragem e todos os atendentes são universitários. Parte da policia carioca ainda vê a Delegacia Legal com reservas. As Delegacias legais em contraponto com as tradicionais são chamadas ironicamente de Mc’Donalds.



Verão de 2000

— César, qual é a principal diferença entre uma Delegacia Legal e a Delegacia Tradicional no Rio de Janeiro?

"A primeira que a Delegacia Legal está preparada, ela tem um ambiente próprio para receber o cidadão porque a função principal da polícia é proteger o cidadão, então, a delegacia que é o local onde se realiza essa relação cidadão e polícia tem que ser um ambiente preparado para receber o cidadão." - Cesar Campos coordenador do programa Delegacia Legal



Inverno de 2001

"Nós estamos, hoje, avançando neste programa, as resistências fazem parte de qualquer processo de mudança e nós já estamos com a meta de quarenta delegacias no ano anterior, ela se modificou, outras variáveis entraram neste programa, mas o saldo positivo é que no ano de 2001 nós concluímos o ano com oitenta delegacias implantadas fachando o programa Delegacia Legal." - Cesar Campos

 




Veja a segunda parte do programa Pereirão

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