Raízes Caminhos e Parcerias - Início Pai Gil de Ogum e o Jarê
A Semente do Encantado
 


"Anoitece em Lençóis. As casas de Jarê se preparam para a gira dos caboclos e dos orixás." Dia de Sábado, fomos conhecer a casa de Pai Gil de Ogum, filho de Ogum e Oxalá, ele nos recebe sem cerimônias e logo nos deixa a sós.

O terreiro, um cômodo de 5x5 que dá para a estreita Rua das Pedras, ainda guarda um pequena sala, onde são guardadas as imagens e as oferendas aos santos. Fraca, a luz favorece o clima do sagrado e a grande imagem de Oxóssi fica mais imponente. Pouco a pouco chegam os filhos de santo aquecendo os atabaques.

Pai Gil volta, distribui as guias e senta-se numa enorme cadeira de madeira ao lado de Oxóssi. Está pronto para falar. Agora, pomposamente, como porta voz de algo maior, como representante do Jarê. Fala da dimensão religiosa e sagrada do culto, que nasceu e só existe na Chapada Diamantina, uma variação do candomblé, impregnada pelo simbolismo negro e indígena. Culto surgido da necessidade dos garimpeiros, sempre místicos e religiosos, em desvendar os mistérios do diamante.

Segundo eles, os diamantes têm dono certo e o garimpeiro nem sempre tem o merecimento de encontrar um. Para saber da sorte consultavam as velhas nagôs da cidade, assim começa o Jarê...

Trongo, Retrongo e Tritongo começam a soar, os atabaques do Jarê pulsam em nossos corpos e Zuzinha, filha de Iansã, recebe o espírito de Oxumaré...

Assista a Pai Gil de Ogum e o Jarê

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