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Cais do Parto
 


Em Trindade, no Sítio Retiro, vive Raimunda, uma parteira do sertão de Pernambuco.

Passamos o dia em sua casa, primeiro mostrou o consultório, um cômodo com uma cama e atrás da cama a última safra de feijão, que deu pouco, secando. Depois fomos para dentro da casa e ao lado de seu altar relevou a devoção, "(...) Sou devota de Santo Antonio, Nosso Padrinho Cícero e das Santas Almas Vaqueiras."

Explica, "...as Santas Almas Vaqueiras protegem os vaqueiros quando estão no mato, ela te livra de uma abraboada de furar os olho, de perder uma perna, de arrancar o pescoço. Fora naquela carreira que eles vão correndo atrás daquele gado, amontando naquele cavalo..."

Por fim vestiu seu chapéu e foi pro milharal mostrar como também sabe roçar. Assim que abaixou para arrancar o primeiro milho começou, "Corina casou ontem, ontem mesmo arrependeu-se...". Ficamos ouvindo aquela história de amor cantada por mais de dez minutos. Raimunda parecia não se cansar e entre cada 2 ou 3 estrofes mandava um aboio.



Em tudo era um autêntico canto de vaquejada, o improviso, o aboio, o ritmo, menos o tema.

A vaquejada surgiu no século XIX no sertão nordestino. No fim do inverno os vaqueiros reúnem o gado de vários donos que pasta junto e fazem a 'apartação'. Uma pequena parte do gado é reservada para o folguedo de derrubar o animal bruscamente, puxando-o pelo rabo. Durante as festas aparecem os cantadores, que improvisam longas histórias narrando a valentia do boi e descrições da festa.

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