Um dia de sábado
no pequeno povoado da Barroca, distrito de Mariana. Chegamos para ver
a Congada, seo Carbonato é quem comanda. Para nosso espanto um
branco chefia um folguedo tão negro, a coroação do
rei e da rainha do Congo. Indagado seo Carbonato responde:
" ...sou amarelo
assim, mas meu sangue é de negro, não adianta."
Seu
falar, seu dançar, sua língua Massanganga, tudo faz crer
que estamos diante do mais retinto negro e da mais pura tradição
cultural. Um auto popular, feito por necessidade de diversão, de
expressão, transmitido oralmente, criando assim uma infinidade
de viriações pelo Brasil.
Há registros
da Congada desde 1674, na igreja de Nossa Senhora do Rosário no
Recife. Uma festa que então era prestigiada pelas autoridades,
afim de acalmar os ânimos dos negros escravos. Hoje esse canto-dança
de motivação africana resiste isoladamente, como na Barroca,
pelas mãos e vozes de negros orgulhosos como seo Carbonato.