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Em
terras um dia assim descobertas, uma sombra no horizonte nos lembra caravelas
ao mar, a chegar. A descoberta já está terminada: 4% do
petróleo que abastece o Brasil sai dessas plataformas no mar de
Sergipe. E o passado mais remoto do planeta ainda participa dos nossos
dias. Sai do mais escuro da Terra e nos devolve riqueza, uma clara energia.
A
luz do cinema ainda balança, está longe da tela. Calma simetria.
O que foi um dia projeção no cinema de Riachuelo, hoje são
meninos assombrados com os morcegos de agora.
O passado está em toda parte. A história do Brasil mora
nestas paisagens. Nestas cidades do interior do Sergipe onde o caminhão
Leia Brasil deixa seus livros.
"Entremos,
viemos como nosso bendito /
Entremos, viemos como nosso bendito /
viemos adorar o meu São Benedito /
viemos adorar o meu São Benedito."
- D. Lourdes
O chapéu, as fitas, o querequexé.
Na cidade de Laranjeiras
Dona Lourdes é a chefe da Taieira,
a festa para Nossa Senhora do Rosário e pra São Benedito,
herança dos negros escravos que trabalhavam nos engenhos de açúcar.
Existem registros dessa festa desde o século XVII: um cantar português,
num ritmo africano.
Rio Cotinguiba, Laranjeiras, por aqui
os holandeses, no século 17, entraram para dominar toda a região
dos engenhos de açúcar.

Este convento em São Cristóvão serviu de quartel
para um batalhão que atacou Antonio Conselheiro, em Canudos.
Aqui estão
dois santos do pau oco, do século 17 - eram ocos por dentro para
que o ouro das Minas Gerais pudesse passar pelos fiscais portugueses sem
pagar imposto.
Esta
é a igreja de Comandaroba, propriedade dos antigos senhores de
engenho. Século 18. Tempos perigosos aqueles. Para escapar das
perseguições do Marquês de Pombal, os jesuítas
que moravam nessa igreja, cavaram um buraco atrás da sacristia.
Uma passagem que agora começa a ser descoberta.
Piabas
secando na calçada. Pescadores se enredam nas suas redes. E o sol
é pura geometria. Crasto, uma vila de pescadores: 1.400 habitantes.
Lugar privilegiado. Foi escolhido para receber o caminhão do Leia
Brasil. Nesta região são 54 povoados, mas apenas vinte e
duas escolas. E no caminhão só serão atendidas as
escolas cadastradas: neste caso somente seis.
"É
muito grande a carência e a gente precisaria pelo menos de início,
um caminhão em cada município, né? Isso seria uns
70 municípios só em Sergipe, imagine se fossemos contabilizar
isso para o país inteiro?" - Luis Carlos - Petrobrás
Entrar no caminhão
e escolher um livro é um privilégio. Sivaldo sabe disso.
Esse é o primeiro livro que você pega diferente da
escola?
"É."
O que você faz, só estuda?
"Trabalho também. Trabalho na roça, limpando, plantando."
- Sivaldo
Esta
é a terra de Sivaldo. Até onde a vista alcança tudo
é Mocambo. Era uma fazenda ociosa, hoje é terra e casa de
40 famílias. Um assentamento dos sem terra.
Eles vivem aqui há
três anos. Cada família tem sua lavoura e sua casa, construída
com ajuda do Incra.
É de manhã. Sivaldo vai com sua carroça, roçar
a terra de seu pai.
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