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ESTÉTICA
DE JOÃO CABRAL: Poesia Concreta e visual
A poesia concreta brasileira interessou a muita gente e não só no Brasil. Em 1966 houve na Bélgica um importante festival de poesia e, segundo o próprio João Cabral que estava lá a serviço do Itamaraty, o assunto principal, em discussão no festival, foi a poesia concreta no Brasil. Em
50 anos de intensa atividade literária, João Cabral de Melo
Neto publicou 18 livros de poemas e 2 autos dramáticos
"Morte e Vida Severina" e "Auto do Frade".
A poesia de João Cabral de Melo Neto pode ser dividida em dois
módulos distintos, propostos pelo próprio poeta ao publicar
o livro Duas Águas, de 1956. Uma água construtiva
e outra participante.
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A poesia de João Cabral de Mello Neto é difícil para o grande público porque não dialoga apenas com o leitor comum mas, também com os realizadores de poesia. A principal temática de Cabral é a reflexão do próprio fazer poético. Sua poesia é auto-explicativa e ninguém melhor do que ele mesmo, através de sua obra, se analisou. Em
sintonia com a corrente evolutiva da melhor literatura contemporânea
parte da poesia de Cabral reflete uma postura crítica sobre o ato
de escrever e são descrições ou mesmo reflexões,
quase sempre indiretas, sobre o fazer literário de outros escritores
como a americana Marianne More , o português Cesário Verde,
os franceses Beaudelaire, Paul Valéry e Mallarmé.
João
Cabral de Mello Neto é um poeta construtivista, ligado por
temperamento às formas visuais de expressão fato que o levou
a, desde cedo, se interessar pela arquitetura e pelas artes plásticas.
Ele valoriza a forma visual dos poemas, a geometrização.
Propõe para a poesia um verso construído, desmistificando
o ato de "criar com inspiração".
Em geral os poetas só começam a pensar na publicação de um livro após terem escrito um certo número de poemas. João Cabral procedia de maneira diferente. Ele planejava seus livros antes mesmo de começar a escrever e sabia, exatamente, como queria editá-los; assim, ele determinava o formato e o número de poemas que seriam publicados em cada um de seus livros. O próprio poeta afirmava que se impunha todas essas dificuldades para que o livro e os poemas crescessem paralelamente. João Cabral costumava dizer que o livro não é um depósito de poemas e, portanto, deveria ser concebido como uma estrutura total, uma macroestrutura.
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