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Verbos   
 
 

Presente do subjuntivo
"que eu faça", "que eu fale"

Na linguagem do dia-a-dia no Brasil é comum ouvir frases como estas:

Você quer que eu compro?
Você quer que eu sirvo?
Você quer que eu faço?

Isso no padrão formal da língua é inaceitável, e a razão é muito simples. Quando alguém diz "Você quer que eu...", o ato que vem expresso em seguida, representado por um verbo, ainda não aconteceu, é hipotético.

Alguém está lhe perguntando se você quer algo e esse algo depende de você. Portanto o modo aí empregado é o da dúvida, da suposição, da hipótese, e é esse o valor do subjuntivo. Logo o correto seria dizer:

Você quer que eu compre?
Você quer que eu sirva?
Você quer que eu faça?

A canção "Pra que discutir com madame", de Haroldo Barbosa e Janet de Almeida, no programa interpretada por Moraes Moreira e Pepeu Gomes, ilustra muito bem o bom uso do tempo subjuntivo.

... Madame não gosta que ninguém sambe...

O que se diz é que "madame não gosta que ninguém sambe" agora ou no futuro, sob qualquer hipótese.

É importante saber que o presente do subjuntivo tem terminações fixas.

  • Para os verbos que terminam em "ar" ( falar, pensar, sambar, andar, cantar.), a vogal temática é "e". Portanto as construções corretas seriam "que eu fale", "que eu pense", "que eu sambe" etc.
  • Para os verbos terminados em "er" e "ir" ( correr, beber, dormir, dirigir.), a vogal temática é "a". Logo deve-se escrever "que eu corra", "que eu beba", "que eu durma", "que eu dirija" etc.

Observe-se ainda que a vogal temática se mantém em todas as pessoas, da primeira à última.

que eu sambe
que tu sambes
que ele sambe
que nós sambemos
que vós sambeis
que eles sambem

A exceção fica por conta do verbo "estar", que termina em "ar", mas faz o presente do subjuntivo com a vogal temática "a": "Ela quer que eu esteja" ( nunca "eu esteje" ). Nesse caso, a vogal temática "a" permanece até o fim:

que eu esteja
que tu estejas
que ele esteja etc.