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(Continuação)
Índia
Para que se entenda a apreensão dos
Estados Unidos com os acontecimentos na Ásia, vamos ver o que acontecia
num dos países mais importantes do continente: a Índia.

Gandhi entre representantes britânicos |
Com a economia devastada pela Segunda
Guerra, a Grã-Bretanha não conseguiu manter o controle
sobre essa antiga colônia. Na época, o Mahatma Gandhi
liderava um movimento pacifista pela independência, com amplo
apoio da opinião pública de seu país e a simpatia
internacional. O processo foi conturbado, a ponto de Gandhi, ideólogo
da não-violência, ser assassinado em 1948. Vamos ver
como foram os acontecimentos da época. |
Em 15 de agosto de 1947, a
Índia foi proclamada país independente, mas dividida em dois
Estados soberanos: a União Indiana e o Paquistão. A divisão
foi conseqüência da hostilidade entre a maioria da população,
que seguia a religião hinduísta, e a minoria muçulmana.
Surgiu assim o Paquistão, um país muçulmano formado
por dois territórios, o Oriental e o Ocidental, separados por mais
de dois mil quilômetros. Muitos anos depois, em 1971, o Paquistão
Oriental daria origem a um novo país independente, Bangladesh. O
Mahatma Gandhi, que era hinduísta, queria a concórdia entre
as duas religiões. Por isso, em 1948, foi assassinado por um fanático
de sua própria religião, contrário a qualquer conciliação.
O novo Estado indiano não aderiu a nenhum bloco da Guerra Fria, optando
pela política do não-alinhamento. O primeiro-ministro Jawaharlal
Nehru adotou um programa de governo nitidamente social. Incentivou a indústria
e promoveu a reforma agrária e a nacionalização dos
bancos. A neutralidade indiana desagradou aos americanos: eles temiam que
a proximidade geográfica da União Soviética e da China
pudesse favorecer a propaganda socialista na Índia.
Islamismo: preocupação
nos dois blocos
Por outro lado, o surgimento do Paquistão preocupou os dois blocos. Washington e Moscou tinham receio de que o novo Estado muçulmano estimulasse o separatismo entre as populações islâmicas da Ásia Central e da região conhecida como Oriente Médio. A maioria da população nas repúblicas soviéticas da Ásia Central era formada por muçulmanos.
| Na época de Stalin, de 1924 a 1953, o islamismo foi reprimido. Tornaram-se proibidas, em público, as orações e a leitura do Corão, o livro sagrado da fé islâmica.
Aos Estados Unidos também não interessava a proliferação do islamismo. A cultura muçulmana reforçava as diferenças de valores em relação ao mundo ocidental, dificultando a penetração das empresas multinacionais e de seus produtos. |

Muçulmanos xiitas |
Numa visão panorâmica,
podemos dizer que, em meados dos anos 50, toda a Ásia estava dividida
em esferas de influências dos dois blocos. Os Estados Unidos haviam
formado o seu "cordão sanitário" e a União Soviética
havia estabilizado seu relacionamento com a China e países vizinhos.
China x URSS: antagonismo de gigantes
Mas um fato novo iria alterar radicalmente as regras do equilíbrio de poder na Ásia: após a morte de Stalin, em 1953, as relações entre Moscou e Pequim tornaram-se tensas, chegando à ruptura por volta de 1960.

Mao Tse-tung: líder independente | Os dois gigantes já não estavam tão unidos ideologicamente e disputavam a liderança do movimento comunista internacional. Apesar da admiração por Stalin, Mao Tse-tung não seguia à risca a linha soviética. Mao era um dirigente carismático, de personalidade forte, que preferia seguir uma linha independente de Moscou e manter plenamente a soberania chinesa. |
A partir de 1956, o clima entre os dois países
esfriou ainda mais com as mudanças de orientação na
construção do socialismo ditadas por Khruschev, o novo líder
do Kremlin. Mao Tse-tung temia que a nova situação na União
Soviética estimulasse focos de oposição na China, onde
parte da população também sofria os efeitos da repressão
política. Outro fator de tensão foi a recusa do governo chinês
em permitir que os soviéticos instalassem bases navais na costa da
China. Em conseqüência, a União Soviética suspendeu
o programa de assistência tecnológica a Pequim, que incluía
a tecnologia da bomba atômica.
A ruptura, por volta de 1960, teve reflexos no equilíbrio entre os
países asiáticos. A China ficou politicamente isolada, porque
os Estados comunistas do continente permaneceram sob influência soviética.
Mesmo isolada, a China era um país de grande importância, principalmente
a partir de 1964, quando cientistas chineses fizeram os primeiros testes
nucleares bem sucedidos. Na Europa, somente a pequena Albânia, liderada
por Enver Hodja, somou-se a Mao Tse-tung na denúncia da União
Soviética como superpotência social-imperialista. Os dois países
contestavam a liderança de Moscou no mundo socialista.
Guerra do Vietnã
Até agora, vimos a divisão da Coréia, a guerra entre norte e sul-coreanos, a independência da Índia e o surgimento do Paquistão. Vimos também a revolução na China, a resistência dos nacionalistas em Taiwan e a ruptura política entre Moscou e Pequim. E chegamos à década de 60, um período particularmente importante. Foi nesse contexto que a maior potência do mundo, os Estados Unidos, amargou sua única derrota num conflito armado, a Guerra do Vietnã.
| Desde a independência do Vietnã, do Laos e do Cambodja, em 54, a existência do Vietnã do Norte comunista nunca foi aceita por Washington. Com receio das aspirações de Ho Chi Min, de unificar o Vietnã sob a bandeira socialista, e antevendo a "teoria do efeito dominó" do secretário de Estado, Foster Dulles, os americanos estimulavam escaramuças entre sul-vietnamitas e seus vizinhos do norte. |

Ho Chi Min: por um Vietnã unido |
"Inicialmente,
foi um conflito interno. De um lado existiam os guerrilheiros do Vietnã
do Sul, chamados genericamente de vietcongs, que queriam derrubar o governo
sul-vietnamita. Esses guerrilheiros eram apoiados pelo Vietnã do
Norte, comunista desde 1954. E, de outro lado, os Estados Unidos apoiavam
o governo do Vietnã do Sul. É claro que a União Soviética
apoiou o governo comunista do Vietnã do Norte e, indiretamente,
os vietcongs do sul."
Nélson
Bacic Olic
geógrafo
A ineficácia
do governo do Vietnã do Sul, acusado de corrupção,
somada ao crescente apoio do Vietnã do Norte à guerrilha
vietcong, colocava em risco o governo de Ngô Dinh Diem.

Desembarque americano no Vietnã
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Para não perder o aliado para o bloco
socialista, o presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, passou
a enviar centenas de assessores militares para a região,
em 1960. Cinco anos depois, 184 mil soldados norte-americanos
estavam em luta nas selvas do Vietnã. Em 67 eles eram 485
mil e, em 68, 536 mil. |
Contra o pequeno e bravo inimigo
auxiliado pela China e pela União Soviética, os Estados
Unidos promoveram um dos mais sangrentos massacres da história
da humanidade. Aviões bombardeavam aldeias, matando mulheres
e crianças. Desfolhantes químicos, como o agente laranja,
devastavam as florestas, poluíam os rios e tornavam a terra
imprópria para a lavoura.
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