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De um modo geral, quando o assunto é
Ásia, nos lembramos logo dos países mais importantes do
Oriente: a China, a Índia e o Japão. Um deles é o
nosso ponto de partida: afinal, a China de Mao Tse-tung colocou de vez
o continente asiático no cenário da Guerra Fria.
Na verdade, já havia um regime socialista na Ásia desde
1924, a República Popular da Mongólia. Depois viriam o Vietnã
do Norte, em 1945, e a Coréia do Norte, em 48. Mas sem dúvida
foi a entrada da China no mundo socialista que abalou o equilíbrio
entre as grandes potências no final dos anos 40. Com a chegada de
Mao Tse-tung ao poder, a política interna dos países asiáticos
passou a ser influenciada pela lógica da Guerra Fria.
O império japonês
A ascensão comunista na Ásia do
Pacífico teve muito a ver com a derrota do Japão na Segunda
Guerra Mundial. Desde o fim do século XIX, o Japão imperial
havia ocupado inúmeros territórios e arquipélagos
do Pacífico. No ano de 1910, havia anexado a Coréia. Nos
anos 30, iniciou a invasão da China e criou o Estado Manchukuo
sob o cetro de Pu-Yi, o último imperador chinês.

Em destaque, ocupação japonesa na Ásia |
Em 1937, o império nipônico
iniciou a invasão da China em larga escala. Um ano antes, o
Japão e a Alemanha de Hitler haviam firmado o Pacto Anti-Komintern,
um prenúncio da formação do Eixo Berlim-Roma-Tóquio.
Em 42, o Japão já ocupava a Indochina, a Indonésia,
Malásia, Filipinas, Papua Nova Guiné, Hong Kong, as
Ilhas Salomão, Cingapura, Birmânia e as ilhas Guam, além
de mais de 1 milhão de quilômetros quadrados da China.
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Em todos esses países e territórios, a ocupação japonesa provocou o surgimento de movimentos nacionalistas de resistência, em sua maioria apoiados pelo Ocidente. No final da Segunda Guerra, o Japão já havia sido expulso de praticamente todos eles.
Coréia e Índia:
socialismo e independência
| A Coréia era um desses casos.
Anexado ao Japão em 1910, o país tinha tradição
de resistência ao invasor. Em 32, o líder oposicionista
Kim IL-Sung se destacava à frente de um exército revolucionário
antijaponês. No fim da Segunda Guerra, a Coréia foi partida
em dois territórios, divididos pelo paralelo 38. A região
norte ficou sob controle da União Soviética. Em 1948,
com o apoio de Moscou, o líder Kim-IL-Sung fundou a República
Democrática Popular da |

Paralelo 38 divide a Coréia |
Coréia, a Coréia do Norte, com a intenção
de exercer jurisdição sobre todo o país. No mesmo ano,
a Coréia do Sul, sob intervenção dos Estados Unidos,
realizou eleições para pôr fim à ocupação,
formando um governo que também reclamava jurisdição
sobre todo o território.
Outro fato importante nos anos que precederam a revolução
chinesa foi a conquista da independência da Índia, em 1947,
pondo fim ao império colonial britânico na Ásia. Àquela
altura já vigorava a Doutrina Truman, anunciada em fevereiro de 47
pelo presidente dos Estados Unidos, Harry Truman. Em discurso no Congresso
americano, Truman comprometeu-se a prestar assistência a qualquer
país onde se verificasse o avanço do movimento comunista.
Um compromisso que esquentou a temperatura das relações internacionais
no final dos anos 40.
De um lado, a Índia saía da dominação britânica. De outro lado, a Coréia do Norte formalizava sua adesão ao socialismo. E, para aumentar ainda mais a dor de cabeça dos norte-americanos, Mao Tse-tung ganhava força na China em sua luta contra o Partido Nacionalista, o Kuomintang do líder Chiang Kai-shek.
A Era de Mao Tse-tung
A luta dos comunistas pela tomada do poder na China começou em 1921, com a criação do Partido Comunista em Xangai. Mao Tsé-tung foi um dos fundadores. Até 1927, os partidos Comunista e Nacionalista agiam em frente única contra os caudilhos militares que dominavam quase todo o país. Com o rompimento da frente única, o Kuomintang assumiu o controle do país, enquanto os comunistas refluíam para o campo. Teve início, nessa época, uma guerra civil que se estenderia por 10 anos.
A luta entre Mao Tse-tung e Chiang Kai-shek foi interrompida em 1937,
quando os dois partidos uniram forças para combater o invasor japonês.
A trégua durou até a derrota dos japoneses e o fim da Segunda
Guerra, em 45.
Acuados pelas forças de Mao, os nacionalistas fugiram para a ilha de Taiwan, conhecida também como Formosa. Lá, Chiang Kai-Shek continuou a encabeçar o governo da República da China. Garantido pelo apoio norte-americano, Chiang tomou para si o assento da China nas Nações Unidas e em seu Conselho de Segurança.
Em outubro de 49, Mao Tse-tung chegava ao poder. Com uma área de
9 milhões e 600 mil quilômetros quadrados e 21 mil quilômetros
de fronteiras com 14 países, a China contava na época mais
de 500 milhões de habitantes.
Washington passou a temer que a vitória comunista na China provocasse uma reação revolucionária em cadeia em toda a Ásia do Pacífico. Para a Casa Branca, o próprio Japão, com a economia devastada pela Guerra, era um forte candidato a se tornar comunista. Os Estados Unidos, fiéis à doutrina Truman, estudavam uma intervenção militar na região.
Guerra da Coréia
A oportunidade chegou em junho de 1950, com os conflitos entre o sul e o norte da Coréia, na região dividida pelo paralelo 38. As duas partes reivindicavam para si a hegemonia sobre todo o país.

Indústria japonesa de suprimentos |
Os Estados Unidos, liderando uma força
multinacional da ONU, enviaram, em setembro, suas tropas em auxílio
ao governo sul-coreano. Ao mesmo tempo, fizeram grandes encomendas
ao Japão, que ficou encarregado de fabricar roupas e suprimentos
para as tropas na frente de batalha. Dessa forma, o Japão pôde
iniciar a reconstrução de sua economia.
A Guerra da Coréia durou três anos e matou pelomenos
três milhões e quinhentas mil pessoas. |
No final, tudo como antes. As fronteiras permaneciam
as mesmas, no paralelo 38, e os regimes dos dois países também:
o norte sob o domínio dos comunistas pró-soviéticos
e o sul controlado pelos capitalistas pró-Estados Unidos.
Indochina: derrota francesa
A situação continuou explosiva na
Ásia do Pacífico. A Guerra da Coréia terminou em
julho de 53, mas, dez meses depois, em maio de 54, a França sofreu
uma derrota histórica no Vietnã, na batalha de Dien Bien
Phu. Foi o fim da Guerra da Indochina, iniciada em 1946. A derrota francesa,
além de pôr fim ao período colonial na região,
serviu de estímulo aos movimentos nacionalistas que pipocavam ao
sul da China.
Depois da Segunda Guerra, a França, que havia capitulado no início do conflito mundial, tentava retomar o controle da Indochina, sob seu domínio desde a segunda metade do século XIX. Mas enfrentava os movimentos que lutavam pela independência da região. O grupo de resistência mais forte era o Vietmin, fundado em 1941 e liderado pelo comunista Ho Chi Min. Depois de várias vitórias contra o imperador Bao Dai, aliado do Japão, Ho Chi Min proclamou, em 45, a República Democrática do Vietnã, com capital em Hanói, no norte do país. Com o fracasso das negociações em torno da região sul, a França, fortemente apoiada pelos Estados Unidos e sua doutrina Truman, deu início à Guerra da Indochina. A batalha final aconteceu entre novembro de 53 e maio de 54. Os franceses consideravam estratégica a localização da aldeia de Dien Bien Phu. A derrota nesta batalha decidiu a guerra a favor de Ho Chi Min.
| Para pacificar a região, uma
conferência de paz realizada em Genebra, em julho de 54, celebrou
a divisão provisória do Vietnã pelo paralelo
17 e a independência do Laos e do Cambodja. Ho Chi Min passou
a chefe de Estado do Vietnã do Norte, enquanto no Vietnã
do Sul o primeiro-ministro Ngô Dinh Diem destituiu o imperador
Bao Dai, proclamando a República. Os Estados Unidos, decididos
a consolidar sua esfera de influência na |

Paralelo 17 divide o Vietnã |
Ásia do Pacífico, assinaram acordos
de proteção com Japão, Filipinas, Coréia do
Sul e Taiwan, além de formar um pacto militar com a Austrália
e a Nova Zelândia. Os americanos criaram ainda a Organização
do Tratado do Sudeste Asiático, integrado pelo Vietnã do Sul,
o Laos e o Cambodja, além da França e da Grã-Bretanha.
Essa série de acordos ficou conhecida como "cordão sanitário",
uma tentativa de conter a expansão comunista na região.
Continua
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