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(Continuação)
Anos 60: ergue-se o Muro de Berlim
Em agosto de 1961, Khruschev determinou a construção
do Muro de Berlim. Surgiu na capital da Alemanha Oriental uma barreira
de 45 quilômetros de extensão e 3 metros de altura, com diversos
postos de vigilância policial, dividindo os lados leste e oeste
da cidade.

Muro de Berlim em construção |
A União Soviética queria
conter o êxodo de milhares de professores, intelectuais e trabalhadores
alemães-orientais para o outro lado, atraídos pela propaganda
capitalista. E queria também controlar a entrada de dinheiro
e mercadorias do Ocidente, fatores de instabilidade na economia da
Alemanha Oriental. Além do aspecto econômico, havia também
questões de estratégia envolvidas. O lado ocidental
de Berlim era considerado um portão de entrada de |
espiões para o mundo socialista. O muro serviria
para diminuir um pouco esse fluxo. Era, em resumo, um conjunto de fatores
que poderia levar as superpotências a um impasse perigoso para o futuro
do planeta. Nesse sentido, o Muro de Berlim pode ter evitado um mal pior,
que seria um confronto aberto entre Estados Unidos e União Soviética.
De qualquer maneira, o Ocidente soube explorar bem a existência do Muro para efeito de propaganda política. Em 1962, o presidente Kennedy faria referências ao tema num de seus mais famosos discursos, durante uma visita à Alemanha.
O assunto Muro de Berlim foi deslocado para segundo plano com o abrupto afastamento do dirigente Nikita Khruschev do comando da União Soviética, em 1964. O mundo viveu momentos de dúvida e apreensão sobre os novos rumos da política de Moscou.
Anos 60: Brejnev endurece
a política externa soviética
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Em 15 de outubro de 64, Alexei Kossíguin assumiu o cargo de primeiro-ministro da União Soviética. Mas o posto principal de comando foi para as mãos do novo primeiro-secretário do Partido Comunista, Leonid Brejnev. O dirigente mostrou um estilo mais duro que o de Khruschev. Em 1968, agiu com vigor ao enfrentar uma crise com a Tchecoslováquia. Sob o governo de Alexander Dubcek, o país iniciava um programa de reformas conhecido como Primavera de Praga. |

Alexander Dubcek |
Para Brejnev, qualquer distúrbio num país do Pacto de Varsóvia representava uma ameaça potencial à aliança. Na Tchecoslováquia, no entanto, não havia distúrbios, mas um movimento interno de liberalização política. A Primavera de Praga terminou em agosto, quando tropas do Pacto de Varsóvia tomaram as ruas da capital tcheca.
Ainda em 68, a Albânia, aliada do líder chinês Mao Tsé-tung, decidiu sair do Pacto de Varsóvia. Nesse caso, Brejnev não reagiu. A decisão albanesa não valia um confronto com a China. Além disso, a atitude do dirigente Enver Hodja apenas tornava oficial um afastamento que já existia desde 62.
Nos anos 70, praticamente não se viu qualquer tipo de contestação política nos países socialistas. O maior problema de Brejnev foi outro: o surgimento do eurocomunismo na Itália, França e Espanha. Se por um lado a chamada "causa socialista" ganhava força na Europa Ocidental, por outro lado, e para o descontentamento de Brejnev, os partidos comunistas francês, espanhol e italiano não seguiam à risca as orientações ideológicas de Moscou. Com essa independência, os partidos buscavam maior sintonia com a opinião pública e com a própria identidade de seus países.
Não fosse pelo eurocomunismo, a década de 70 teria reservado pouco destaque para o socialismo na Europa. Mas dois fatos importantes estavam por vir, no início dos anos 80: o surgimento do sindicato independente Solidariedade, na Polônia, e a morte do marechal Tito, na Iugoslávia.
Anos 80: crise política
na Iugoslávia e na Polônia

Refugiados bósnios |
O desaparecimento do dirigente Josip Broz Tito, em maio de 1980, pôs fim a um período de estabilidade inaugurado em 1945 com a proclamação da República Popular da Iugoslávia. Após a morte de Tito, um líder carismático e centralizador, as aspirações separatistas ganharam força nas repúblicas integrantes da Federação iugoslava. Os movimentos nacionalistas viriam a radicalizar suas posições durante toda a década de 80, até a eclosão da guerra civil, em 1991. |
Também em 1980, no mês de setembro, surgiu na Polônia o sindicato independente Solidariedade, sob o comando do líder metalúrgico Lech Walesa. Era a primeira entidade civil de natureza política e social num país socialista a escapar do controle do Partido Comunista. Mesmo os movimentos da Hungria, em 1956, e da Tchecoslováquia, em 68, reprimidos por Moscou, foram liderados por comunistas, o húngaro Imre Nagy e o tcheco Alexander Dubcek. No caso do Solidariedade, ocorreu o oposto: o líder Lech Walesa era anticomunista e contava com a simpatia do Vaticano, na figura do próprio Papa João Paulo II, também polonês. Um apoio decisivo para a combatividade do sindicato.
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O Solidariedade passou a organizar greves e passeatas contra o governo. A crise econômica estimulava as atividades sindicais. Multiplicaram-se os panfletos, jornais, livros e revistas contestando o regime. O sindicato chegou a criar uma estação de rádio, num desafio aberto a Moscou. Em dezembro de 81, o governo polonês pôs os tanques nas ruas e decretou a ilegalidade do Solidariedade. O sindicato passou a atuar na clandestinidade, com apoio de parcela expressiva da população. |

Panfleto do sindicato Solidariedade |
Crise econômica no
bloco socialista
A época era de crise econômica nos países socialistas, a começar pela União Soviética. O país enfrentava problemas como desemprego, falta de alimentos, prostituição e consumo de drogas. No Cáucaso soviético, o desemprego atingia cerca de um terço da população economicamente ativa. A não ser pelos progressos do setor militar e espacial soviético, a indústria no mundo socialista não acompanhava os avanços tecnológicos do Ocidente. O obsoletismo do parque industrial refletia-se no abastecimento da população. Na União Soviética, o racionamento de alimentos e a escassez de produtos como sabonete, roupas e calçados provocavam grandes filas nas principais cidades.
Em oposição ao quadro de crise, uma camada da população, formada pelos funcionários da burocracia do Estado e do Partido Comunista, tinha acesso a bens e serviços fora do alcance do cidadão comum. Nos anos 80, sob o governo de Brejnev, mais do que em outras épocas, o conceito de socialismo foi deturpado pelos próprios dirigentes da União Soviética. A opinião pública ocidental tomou conhecimento de denúncias de corrupção generalizada na cúpula do poder de Moscou, garantida pela repressão da KGB, a polícia política soviética.
Acompanhando esses fatos, fica mais fácil entender a força do Solidariedade na Polônia durante a década de 80. Depois dele, diversos grupos de oposição brotaram em toda a Europa do Leste, organizando os movimentos sociais que culminariam no desmantelamento do bloco socialista, em 1989.
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