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A
corrida espacial |
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(Continuação)
Bomba atômica: lado sinistro da corrida espacial No fim da Segunda Guerra, o mundo estava
dividido em dois blocos antagônicos e tomava contato com um novo
e aterrorizante elemento, a bomba atômica. Em agosto de 45, ela
foi mostrada à opinião pública da forma mais trágica
possível: dizimando milhares de vidas nas cidades de Hiroshima
e Nagasaki, no Japão.
A ciência a serviço do desejo de voar Desde que o matemático e filósofo francês René Descartes formulou seu famoso aforismo, "penso, logo existo", os teóricos da cultura ocidental passaram a duvidar de tudo o que não se pudesse comprovar cientificamente. A partir da visão racionalista do mundo, inaugurada no século XVII com o Iluminismo, o progresso humano passou a ser medido segundo os padrões dos cientistas, apesar de todos os dogmas da Igreja. Assim, nada mais natural do que o homem esperar da ciência a resposta ao seu anseio de voar.
José
Arbex Jr.
jornalista Na verdade, quando
falamos sobre os anos que vieram logo depois da Segunda Guerra, e sobre
blocos econômicos, estamos tratando também do início
do período da Guerra Fria. Nos Estados Unidos, a idéia da
felicidade no dia-a-dia estava muito associada ao progresso técnico
e científico. Os meios de comunicação difundiam a
imagem de que só poderia ser feliz o americano que tivesse em casa
todos os eletrodomésticos disponíveis no mercado, além
de pelo menos um automóvel na garagem. Coisas de um consumismo
assumido que não existia nos países socialistas.
Sputnik-1, Sputnik-2... O avanço soviético Com esses valores materiais em alta, o Ocidente, e em particular os americanos, foram surpreendidos pelo anúncio do projeto espacial soviético "Sputnik". Acostumados a conviver com a tecnologia de ponta, tiveram de aceitar a vantagem da União Soviética na corrida ao espaço. A data: 4 de outubro de 1957.
Explorer, Nasa... A reação norte-americana Diante de todos esses
fatores, o salto dos soviéticos na corrida espacial parecia ainda
mais grandioso. Para os Estados Unidos, era necessário reagir com
urgência. Em 31 de janeiro de 1958, depois de uma tentativa fracassada,
os americanos finalmente colocaram em órbita o seu primeiro satélite
artificial, o Explorer. O pequeno aparelho, de 13,6 kg, levava instrumentos
para medir raios cósmicos, temperaturas e colisões de meteoritos.
O foguete de lançamento do Explorer, o Juno-1, era na verdade apenas
um míssil modificado por Von Braun. Outra medida do presidente
Eisenhower na contra-ofensiva americana foi a criação da
Nasa, sigla em inglês de Administração Nacional
da Aeronáutica e do Espaço, em outubro de 58. O objetivo
era centralizar as pesquisas do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.
Em janeiro de 59, os soviéticos deram uma nova demonstração
de seu avanço tecnológico com o lançamento do projeto
Luna, ou Lunik, voltado a pesquisas sobre a Lua. Os primeiros resultados
expressivos chegaram em outubro do mesmo ano de 59: o Luna-3 contornou
a Lua a uma altura de 7.000 quilômetros e fotografou pela primeira
vez o lado escuro do satélite natural. Gagarin, o primeiro homem no espaço
1962: a crise dos mísseis Em 62, no mês de outubro, a Guerra Fria chegou a um nível preocupante com a crise dos mísseis em Cuba. Os Estados Unidos reagiram energicamente à iniciativa soviética de instalar uma plataforma nuclear em território cubano, a apenas 150 quilômetros da costa norte-americana. A União Soviética recuou, mas o mundo sentiu pela primeira vez o perigo real de um confronto nuclear entre as superpotências. Mais do que nunca, a conquista do espaço e das tecnologias dos foguetes tornava-se um objetivo prioritário para os governos de Washington e de Moscou. Enquanto os americanos investiam em vôos tripulados para a Lua, os soviéticos preferiam trabalhar com robôs nas missões lunares. Em 1966, o foguete Luna-9 pousava no satélite natural. Pouco depois, o Luna-10 tornava-se o primeiro aparelho a entrar em órbita da Lua. Em 1970, com os veículos automáticos Lunokhods, os soviéticos obtiveram várias amostras da superfície lunar. Do lado americano, o projeto Ranger deu novo impulso ao programa espacial, enviando da Lua, em 65, mais de 17 mil fotos de alta resolução, permitindo novas pesquisas. A "conquista da Lua" dividiu-se em 3 programas, o Mercúrio, o Gemini e o Apolo, cada um responsável pelo desenvolvimento de determinadas etapas de um vôo tripulado.
Acidentes nos EUA e na URSS Mesmo com todas as precauções, uma tragédia abalou os Estados Unidos, em janeiro de 67. Durante uma decolagem simulada, um incêndio provocado por um curto-circuito destruiu a nave Apolo-1, matando os três astronautas a bordo. Em maio do mesmo ano, os soviéticos também passaram por momentos desoladores com a queda da nave Soyuz-1, durante a manobra de retorno à Terra. O acidente provocou a morte do cosmonauta Wladimir Komarov. |