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Ninguém sabe, exatamente, quando
o homem teve pela primeira vez o desejo de voar. Sabemos que é
uma ambição muito antiga. A mitologia, a arte e a literatura
de todas as épocas e culturas estão repletas de imagens
de homens-pássaros e do anseio humano de alcançar os céus.
A corrida espacial nos remete ao desenvolvimento
tecnológico do século XX, particularmente do período
da Guerra Fria. Estados Unidos e União Soviética disputavam
quem obteria primeiro maior domínio e conhecimento do espaço.
É claro que essa disputa tinha um significado científico
e militar. Mas não era só isso. Talvez mais importante do
que o aspecto da estratégia, havia também uma profunda questão
psicológica e cultural envolvida. Para entender por quê,
vamos fazer uma pequena viagem no tempo.
De Ícaro a Isaac
Newton
Uma das figuras mais célebres da mitologia
é Ícaro, filho do arquiteto Dédalo de Creta. Para
que Ícaro fugisse da ilha onde estava aprisionado, seu pai construiu-lhe
asas de cera. Ícaro conseguiu escapar, mas sua ambição
o levou a um vôo tão alto que o Sol acabou por derreter a
cera. Ícaro caiu no mar e morreu.

Da Vinci planejou uma máquina de voar |
Num tempo bem mais recente e real,
o homem tentou construir máquinas de voar. O gênio renascentista
Leonardo Da Vinci, no início do século XVI, desenhou
esquemas de aparelhos muito parecidos com os atuais helicópteros.
O artista estudou a anatomia dos pássaros e seus movimentos
de vôo. Apesar de avançadas, as concepções
de Da Vinci não saíram do papel porque faltava-lhe o
conhecimento das leis fundamentais da aerodinâmica, que seriam
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formuladas muito posteriormente.
Na mesma época, o astrônomo polonês Nicolau Copérnico
causou um grande escândalo ao propor um modelo do sistema solar em
que o centro seria o Sol e não a Terra, como pregava a Igreja Católica.
| No século XVII, a investigação
do espaço tornou-se mais fácil com o telescópio
aperfeiçoado por Galileu. Em algumas semanas, o fundador da
ciência experimental moderna foi capaz de fazer um mapa da face
visível da Lua. Galileu teve sérios problemas com a
Santa Inquisição por sustentar que os planetas se moviam
e, principalmente, por apoiar a teoria heliocêntrica de Copérnico.
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Igreja do séc. XVII: a Terra no centro |
Para a Igreja, as estrelas e os planetas estavam
todos fixos na abóbada celeste, e a Terra era o centro do Universo.
Na mesma época, o astrônomo alemão Johannes Kepler calculava
a órbita elíptica dos planetas. Alguns anos depois, ainda
no século XVII, o físico inglês Isaac Newton viria a
formular as leis da atração da gravitacional e do movimento
dos corpos celestes.
A conquista do espaço
e a literatura
À medida que o desenvolvimento da
ciência tornava mais viável o sonho de voar, crescia o interesse
da literatura pelo assunto. Nos séculos XVIII e XIX, grandes escritores
tentaram captar a força dos sentimentos quase mágicos provocados
pela chamada "conquista do espaço". Em 1865, o romancista francês
Jules Verne, um dos pioneiros da ficção científica,
lançou o livro "Da Terra à Lua". Conta a história
de um homem enviado ao espaço dentro de uma cápsula, impulsionada
por uma espécie de canhão gigante.
Em 1898, o escritor e historiador Inglês H.G. Wells publicou o livro
"A Guerra dos Mundos", abordando a possibilidade de vida em outros planetas.
A obra seria a inspiração de Orson Welles em seu célebre
programa de rádio de 1938. O programa, que provocou pânico
nos Estados Unidos, simulava o ataque de Nova York por invasores marcianos.
Santos-Dumont
Quando o assunto é a conquista do
espaço, a primeira coisa que normalmente nos vem à cabeça
são os grandes foguetes. Mas antes deles houve um longo processo
de invenções e descobertas, desde os primitivos mísseis
usados pelos chineses contra o exército de Kubilai Khan, no século
XIII, até as máquinas voadoras mais pesadas que o ar.
Nesse sentido, a história da conquista espacial daria um grande
salto em 1901, ano em que o engenheiro brasileiro Alberto Santos-Dumont
fez um pequeno vôo em torno da Torre Eiffel, em Paris. A façanha
foi a bordo de um balão de hidrogênio equipado com um pequeno
motor a gasolina. A experiência, que deu fama a Santos-Dumont, coroou
um longo trabalho para tornar dirigíveis os aparelhos mais leves
que o ar.

1906: o vôo histórico do 14-Bis |
Mas o grande êxito do inventor
brasileiro seria obtido em outubro de 1906, com o histórico
vôo do 14-Bis. Pela primeira vez, um aparelho mais pesado que
o ar foi capaz de levantar vôo por meios mecânicos próprios.
Começava ali uma nova fase na história da humanidade.
O que Santos-Dumont não calculou foi o potencial destrutivo
de seu invento, quando utilizado como arma de guerra. |
Para desgosto do Pai da Aviação, já
na Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918, era evidente o significado
bélico da conquista do ar. Naquela época, a falta de instrumentos
precisos de balística para determinar a trajetória das bombas
contribuiu para a devastação de centros urbanos e para a morte
de um número assombroso de civis. A humanidade estava ingressando
na era da alta tecnologia de destruição.
Dos monomotores aos
bombardeiros
Depois da Primeira Guerra, a indústria
da aeronáutica experimentou um extraordinário crescimento.
Dos pequenos monomotores a hélice de 1914, a indústria militar
passou à fabricação de bombardeiros de grande porte.
Na Segunda Guerra Mundial, os aviões
tinham capacidade de transportar um número expressivo de pára-quedistas,
de interceptar aeroplanos e de lançar detonadores de minas submarinas
inimigas. Além disso, os alemães já contavam com
o primeiro avião a jato, criado em 1928. O modelo deu origem ao
jato de combate He-280, utilizado na Segunda Guerra a partir de 1941.

Von Braun e sua criação mortífera |
O grande salto qualitativo na conquista
do espaço, no entanto, seria representado pelo sinistro foguete
V-2, concebido no fim dos anos 30 pelo físico alemão
Werner Von Braun. A "arma da vingança", como ficou conhecido
o V-2, era movida a combustível líquido e possuía
um alcance de 322 quilômetros. A simples existência do
armamento deixava a Europa em pânico. Mais de 4 mil foguetes
V-2 foram lançados contra Londres, entre setembro de 1944 |
e março de1945. A pesquisa necessária
à fabricação do V-2 viria a ser utilizada no desenvolvimento
da tecnologia espacial soviética e americana durante a Guerra Fria.
Continua
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