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A
Nova Ordem Mundial |
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(Continuação)
Anos 90: disputa pelo mercado Com o fim do comunismo, os antigos países socialistas abriram suas fronteiras e seus mercados. No ocidente, os países detentores de tecnologias avançadas, como Alemanha e Japão, já não precisavam se submeter à lógica da Guerra Fria e à liderança dos Estados Unidos. O resultado foi o início de uma feroz disputa pelo mercado mundial. Em junho de 91, os Estados Unidos lançaram uma ofensiva em seu comércio exterior com a "Iniciativa Para as Américas", um plano que pretendia criar um mercado unificado do Alasca à Terra do Fogo.
América Latina: Nafta, Mercosul, Alca... Nesse quadro, a América Latina aparecia como um mercado consumidor atraente e poderoso. Apenas o Brasil, sozinho, com todos os seus problemas, representava um mercado potencial de 140 milhões de habitantes, com o décimo Produto Interno Bruto do mundo, algo em torno de 500 bilhões de dólares. De olho nesse mercado e no de toda a América Latina, o presidente norte-americano Bill Clinton lançou, em 1994, o Nafta, o mercado comum da América do Norte, agregando Estados Unidos, Canadá e México. O passo seguinte do Nafta seria a inclusão de outros países do continente até, eventualmente, atingir o conjunto das Américas, como havia proposto o presidente Bush.
"Nos anos 60,
o general De Gaulle, então presidente da França, se recusou
a receber o primeiro-ministro do Japão, dizendo que ele, o japonês,
não passava de um vendedor de transistores. Naquela época,
a política era vista como algo elevado, a política se referia
à guerra. Muita água passou por debaixo daquela ponte e
hoje todos os estadistas, sem exceção, são vendedores
de transistores. Todos fizeram da economia, do comércio internacional,
um dos aspectos centrais de suas estratégias políticas.
Há algo muito irônico no fato de que o maior vendedor de
transistores seja o líder da principal potência militar do
mundo, Bill Clinton. é Bill Clinton seguindo uma trajetória
de George Bush, que procura impor o comércio administrado ao Japão,
obrigando-o a comprar produtos americanos até uma determinada cota
limite. Na linguagem do governo dos Estados Unidos, a segurança
nacional é hoje, em grande parte, segurança econômica.
Isso significa abertura de mercados para produtos norte-americanos. O
Brasil não está fora da guerra comercial, nem o Mercosul.
Ao Brasil interessa evitar que os Estados Unidos consigam muito rapidamente
rebaixar tarifas de importação nas Américas, que
é o projeto da Alca - Área de Livre Comércio das
Américas. A Alca foi lançada em 1990 por George Bush, e
é outro projeto a que Bill Clinton dá seqüência.
Demétrio
Magnoli
geógrafo, doutor em Geografia Humana
A ex-União Soviética E a Rússia? Bem, a Rússia não foi integrada a nenhum bloco econômico. Em primeiro lugar, ela se tornou o país-líder da CEI, a Comunidade de Estados Independentes, formada depois da dissolução da União Soviética. A Comunidade constituiu-se num grande mercado para Moscou, mesmo não sendo uma zona de livre comércio. Os países da CEI dependiam do petróleo, de manufaturados e de várias matérias-primas para a indústria e o comércio, todos produtos oferecidos pela Rússia.
A tensão política atingiu um ponto delicado em outubro de 93, quando, numa disputa de poder, o parlamento russo desafiou a autoridade do governo. O presidente Yeltsin ordenou a ocupação militar do parlamento, numa operação que causou a morte de pelo menos trezentas pessoas. A crise estimulou o fortalecimento de grupos de extrema-direita, que passaram a pregar a reconstrução de uma Grande Rússia, ainda que fosse necessário utilizar o arsenal nuclear do país. O mais conhecido representante dessa corrente conservadora, Vladimir Jirinovsky, concorreu às eleições presidenciais em dezembro de 93, obtendo quase 25% dos votos. Dessa forma, as energias políticas da Rússia foram quase integralmente consumidas por seus próprios problemas. Diante dessa conjuntura, os Estados Unidos, especialmente após a Guerra do Golfo, sentiram-se à vontade para determinar os rumos da política internacional. |