
![]() |
A
Questão Cultural no Brasil |
|
(Continuação)
Ditadura militar: resistência
Militares decretam o AI-5 Apesar de todo o clima de terror, o movimento estudantil, articulado com organizações de trabalhadores, conseguiu resistir promovendo passeatas que reuniam milhares de pessoas em São Paulo, no Rio e em outras capitais. A repressão investiu com toda a força sobre o meio estudantil. Em março de 68, o estudante Édson Luís de Lima Souto morreu num conflito com a Polícia Militar no restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro. Em outubro, a ditadura prendeu mais de 1.200 estudantes no trigésimo congresso da UNE, realizado clandestinamente em Ibiúna, em São Paulo. Logo em seguida, em dezembro de 68, viria o golpe fatal da ditadura: a decretação do AI-5. Assinado em dezembro de 68 pelo presidente da República, gal. Arthur da Costa e Silva, o Ato Institucional n°. 5 vinha consolidar e aprofundar o regime de exceção. O instrumento conferia ao poder executivo a faculdade de cassar mandatos políticos, censurar a imprensa, aposentar compulsoriamente servidores públicos, determinar o fechamento do Congresso, impor estado de sítio e suspender as mínimas garantias individuais, como o direito de ir e vir.
Violência do Estado e abertura política
"Recordando
a morte do jornalista Wladimir Herzog, eu me menciono sobre três
pontos que parecem fundamentais. O primeiro foi a busca. Saber se ele
estava preso e, se estava, onde se encontrava. Foram telefonemas a todas
as autoridades, desde o governador até o general Golbery (do Couto
e Silva, chefe do gabinete civil no governo Geisel) e nada conseguimos
fazer Ele estava morto. O segundo momento foi a preparação
para o ato ecumênico. Foi um ato judaico dirigido pelos cristãos,
todos unidos para dizer: "a revolução estava matando".
Depois chegou o terceiro
momento, quando um operário da zona leste de São Paulo foi
preso e desapareceu. De repente nos chegou a notícia de que ele havia
morrido. Era Manoel Fiel Filho. Ele se tornou o símbolo da resistência
operária contra a violência. Em todos os lugares de São
Paulo houve manifestações religiosas e manifestações
patrióticas. Daí para a frente a Igreja e os operários
lutavam por uma só causa, assim como o povo, que começou a
lutar pela liberdade do Brasil." D.
Paulo Evaristo Arns
cardeal-arcebispo de São Paulo Dentro desse contexto, o governo do general Ernesto Geisel deu início ao que chamava de "abertura lenta, gradual e segura". Em 79, já durante o governo do general João Figueiredo, foi aprovada no Congresso a lei de anistia aos presos políticos e aos exilados, e também aos torturadores do regime militar. |